quinta-feira, 20 de março de 2014

Segunda geração romântica portuguesa




A segunda geração romântica em Portugal, também conhecida como ultrarromântica foi marcada pelo pessimismo, desejo de evasão, vontade de morrer. Devido a péssima condição de vida em que vivia os autores dessa geração, e pelas manifestações realizadas através dos poemas, moldadas pelo amor platônico e idealizado e a crítica sarcástica à sociedade, foram acometidos como o “Mal do Século”. Na segunda geração romântica já está intensificadas as características românticas. Por expressarem os seus sentimentos livremente e entregarem -se a seus devaneios os autores dessa geração ficarem conhecidos como ultrarromânticos.
Os temas dessas gerações são: à época medieval, o tédio, a melancolia, o desespero, a morte, a enfermidade da vida, entra outros. Há nessa geração uma forte tendência do escapismo, a vontade de fugir das insatisfações que o mundo real provoca. Assim, a morte passa a ser vista de forma positiva, por significar o fim da agonia de viver. Nos poemas ultrarromânticos, a mulher é idealizada e inatingível, são características como: pálida, branca, virginal, lânguida, aérea, adormecida. Os cenários descritos nos poemas são geralmente, noturnos e funéreos, como um cemitério à noite ou a praia sob a luz da lua, mostra a natureza turbulenta com tempestades, vendavais. Esses cenários podem ser entendidos como um mundo interior do artista, que transfere para a natureza o estado de sua alma.


“Ficou conhecido como o mal do século o culto da melancolia e do tédio e o estilo destrutivo de vida dos poetas ultrarromânticos. Muitos deles se entregavam ao ópio e ao absinto e era comum morrem cedo, muitas vezes de doenças contagiosas, como tuberculose e sífilis.”




Principais Autores Românticos dessa geração:



 Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco nasceu no dia 16 de março de 1825, foi um famoso escritor português. Foi considerado o criador da novela passional portuguesa. Em 1863 publica Amor de Perdição, sua novela mais famosa. Sua vida atribulada lhe deu inspiração para os temas de suas novelas. Camilo Castelo Branco também reconstituiu em suas obras o panorama dos costumes de Portugal de seu tempo, quase sempre com uma profunda sintonia com as maneiras de ser e sentir do povo português. Em 1889 quando se torna uma celebridade nacional como escritor, recebe uma homenagem da Academia de Lisboa. Recebeu o título de Visconde concedido pelo rei de Portugal, D. Luis I.





Obras: Mistérios de Lisboa (1854), Duas épocas na vida (1854), O livro negro do padre Dinis (1855), Vingança (1858), Carlota Ângela (1858), A morta (1860), O romance de um homem rico (1861), Amor de perdição (1862), Amor de salvação (1864), O olho de vidro (1866), O retrato de Ricardina (1868), A mulher fatal (1870), Doze casamentos felizes (1861), Estrelas funestas (1861), Estrelas propícias (1863), Coração, cabeça e estômago (1862).


Capítulo IV


O coração de Teresa estava mentindo. Vão pedir sinceridade ao coração!


Para finos entendedores, o diálogo do anterior capítulo definiu a filha de Tadeu de Albuquerque. E mulher varonil, tem força de caráter, orgulho fortalecido pelo amor, desapego das vulgares apreensões, se são apreensões a renúncia que uma filha fez do seu alvedrio às imprevidentes e caprichosas vontades de seu pai. Diz boa gente que não, e eu abundo sempre no voto da gente boa. Não será aleive atribuir-lhe uma pouca de astúcia ou hipocrisia, se quiserem; perspicácia seria mais correto dizer. Teresa adivinha que a lealdade tropeça a cada passo na estrada real da vida, e que os melhores fins se atingem por atalhos onde não cabem a franqueza e a sinceridade. Estes ardis são raros na idade inexperta de Teresa; mas a mulher do romance quase nunca é trivial, e esta de que rezam os meus apontamentos era distintíssima. A mim me basta crer em sua distinção, a celebridade que ela veio a ganhar à conta da desgraça.




Soares Passos


Antonio Augusto Soares de Passos nasceu em 27 de novembro de 1826, em Porto, Portugal. Em 1856, pública sua única obra sob o título de Poesias. Este trabalho reúne praticamente toda sua produção literária e revela um autor angustiado, soturno e extremamente pessimista. Seu único trabalho, Poesias, tornou-se aos olhos da crítica daquele tempo, mais um compilado de versos piegas do que uma obra autêntica que expressava com fidelidade a forma com que o autor via e sentia o mundo ao seu redor. Dessa forma, o trabalho ficou renegado a um esquecimento crítico e cruel, sendo até mesmo, posteriormente a sua morte, alvo de notas levianas e críticas irônicas. Sua breve biografia, bem como sua curta e impactante obra, constituem um exemplo nítido e legítimo do ultrarromantismo português.

O noivado do sepulcro

Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranquila!... mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
Dentre os sepulcros a cabeça ergueu.

Ergueu-se, ergueu-se!... na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na mormórea cruz.


[...]


PASSOS, Soares de. In: MOISÉS, Massaud. Presença da literatura portuguesa.
São Paulo: Difel, 1970
 



Os trechos da postagem foram extraídos do livro ¨viva português-volume 2¨, editora ática.


Um comentário:

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