As primeiras produções poéticas do Romantismo em Portugal abordavam,
não só os temas lírico-amorosos, medievais, populares e folclóricos, havia o
desejo de resgatar as manifestações culturais mais antigas e genuínas de cada
povo, para construir com elas um sentimento de nação, de unidade nacional.
Esse movimento ocorreu durante os anos de instabilidade em Portugal.
De um lado, estava Dom Pedro IV (Dom Pedro I do Brasil), que representava a
tentativa de implantação do liberalismo no país; do outro lado, Dom Miguel, seu
irmão absolutista. Derrotado, Dom Pedro cede o trono português ao irmão, e só
consegue reavê-lo em 1834, quando o liberalismo finalmente venceu. O primeiro
romantismo contribui muito para a consolidação do liberalismo em Portugal. Os
ideais românticos dessa geração estão embasados na pureza e originalidade.
Principais Autores Românticos dessa geração:
Almeida Garrett
João Batista da Silva Leitão de Almeida
Garrett (1799-1854), conhecido como
Almeida Garrett nasceu na cidade de Porto. Foi o primeiro autor do
Romantismo em Portugal, entretanto, apesar de ser um dos principais autores do
movimento romântico, ele nunca chegou a ser um autêntico romântico, por não
conseguir deixar de lado a contenção racional e o equilíbrio típico do
Arcadismo.
Sua obra mais importante é Folhas caídas
(1853), dedicada à Viscondessa da luz, por quem foi apaixonado já no final de
sua vida. Percebe-se características neoclássicas: o poema pensa no sentimento,
narra a experiência vivida e não uma sugestão do estado de paixão. Nesse poema,
percebe-se, muitas características que se fortalecem durante o Romantismo: a
mulher ausente, distante e muda faz nascer a paixão do eu lírico, o sentimento
é o tema.
Principais obras: Camões
(1825), Dona Branca (1826), Adozinda (1828), Catão (1828),
Romanceiro (1843), Cancioneiro Geral (1843), Frei Luis de Sousa
(1844),Flores sem Fruto (1844), D’o Arco de Santana (1845),Folhas Caídas
(1853).
Não te amo
Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.
E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.
GARRETT, Almeida. In: MOISÉS,
Massaud.
A literatura portuguesa através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1997
A literatura portuguesa através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1997
Alexandre
Herculano
Alexandre
Herculano de Carvalho e Araújo (1810-1877), conhecido como Alexandre Herculano,
nasceu em Lisboa. Herculano foi um dos mais altos espíritos da literatura
portuguesa do seu tempo. “Eurico, o presbítero” é uma de suas obras mais
importantes. Nesse romance histórico, ele analisou tema do celibato clerical,
mostrando sua incompatibilidade com a liberdade da paixão amorosa. Retrata
também a época da invasão dos árabes na Península Ibérica durante a Idade Média.
Principais
obras: O Bobo (1843), Eurico, o presbítero (1844),Cartas sobre a História de
Portugal (1842),Lendas e narrativas (1851),História de Portugal (1º vol.)
(1846),(2º vol.) (1847),O monge de Cister (1848).
Observe
no trecho da obra Eurico, o presbítero, a seguir, características dessa
geração:
Desde essa época, a distinção das duas
raças, a conquistadora ou goda e a romana ou conquistada, quase desaparecera, e
os homens do norte haviam se confundido juridicamente com os do meio dia em uma
só nação, para cuja grandeza contribuíra aquela com as virtudes ásperas da
Germânia, esta com as tradições da cultura e polícia romanas. As leis dos
césares, pelas quais se regiam os vencidos, misturaram se com as singelas e
rudes instituições visigóticas, e já um código único, escrito na língua latina,
regulava os direitos e deveres comuns quando o arianismo, que os godos tinham
abraçado abraçando o evangelho, se declarou vencido pelo catolicismo, a que
pertencia a raça romana. Esta conversão dos vencedores à crença dos subjugados
foi o complemento da fusão social dos dois povos. A civilização, porém, que
suavizou a rudeza dos bárbaros era uma civilização velha e corrupta. Por alguns
bens que produziu para aqueles homens primitivos, trouxe lhes o pior dos males,
a perversão moral. A monarquia visigótica procurou imitar o luxo do império que
morrera e que ela substituíra. Toletum quis ser a imagem de Roma ou de
Constantinopla. Esta causa principal, ajudada por muitas outras, nascidas em
grande parte da mesma origem, gerou a dissolução política por via da dissolução
moral.
Antônio Feliciano de Castilho (1800-1875), nasceu em Lisboa. Devido ao
sarampo, ficou cego com seis anos,
Obras Principais: Cartas de Eco e
Narciso (1821); A Primavera (1822); Amor e Melancolia (1828); A Chave do
Enigma; A Noite do Castelo (1836); Os Ciúmes do Bardo (1836); Crónica Certa e
muito Verdadeira de Maria da Fonte (1846); Felicidade pela Agricultura (1849);
Escavações Poéticas (1844); Presbitério da Montanha; Quadros da História de
Portugal (1838); O Outono (1863).
"Dentro de mim uma
corrente de nomes e evocações fluindo desde as minhas origens, como o Rio das
Velhas no seu leito de pedras, entre cidades imemoriais... Prefiro estancá-la
no tempo, a exaurir-me em impressões arrancadas aos pedaços e que aos poucos
descobririam o que resta de precioso em mim - o mistério de minha terra,
desafiando-me como a esfinge com seu enigma: decifra-me ou devoro-te.
Prefiro ser devorado."
Os trechos da postagem foram extraídos do livro ¨viva português-volume 2¨, editora ática; "A Chave do Enigma", Editora Record - Rio de
Janeiro, 1999 e ¨Eurico, o presbítero¨, editora Martin claret - São Paulo, 2002.

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